Community – 4×07 – Economics of Marine Biology

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Por Caetano Barsoteli

Às vezes são os personagens, às vezes as situações e às vezes as inventividades narrativas. Mas de quando em quando o cenário de Community é o que proporciona toda a diversão de um episódio. Basicamente, foi isso que aconteceu com “Economics of Marine Biology”, um bom capítulo que resgatou o brilho da faculdade comunitária de Greendale ao expandir as particularidades da mesma e torná-la ainda mais estranha do que já era – afinal, conhecemos aqui um curso nascido de um erro de digitação (!). Mas o episódio também apresentou consistência em outros pontos, principalmente ao progredir ainda mais a evolução de Jeff Winger ao trabalhar sua relação com Pierce.

O episódio foi construído com três tramas paralelas, cada uma com sua resolução moral. Em Community, a moral ao final do episódio é o que confere charme e inocência àquele conjunto de personagens; é o que condiciona a preservação de uma essência pura em suas relações, de modo que todos os distrativos artifícios e floreios promovidos pela série jamais se sobressaiam em relação à alma dos personagens. É, portanto, eficaz a resolução da subtrama envolvendo Jeff e Pierce, ainda mais por vir de algo acumulado dramaticamente por toda a série. Logo, o cenário em que se desenvolve a interação dos personagens é dos mais simples, embora significativo: uma barbearia. Aqui, não precisamos de Greendale, sua ausência é fundamental.

Quando a moral surge para resolver um problema efêmero, uma problemática que se manifesta com pouca carga e se encerra sem implicações, é pelo menos preciso de um desenvolvimento interessante e um cenário memorável para suprir isso. Assim foi a subtrama envolvendo Troy e Shirley na primeira aula do inacreditável curso de Educação de Educação Física (que, ao menos na concepção do ensino superior daqui, é redundante). Troy começa com uma postura típica, que não podemos destacar como algo particular de sua pessoa em si, mas da categoria humana em que se encaixa, e que se difere totalmente da categoria de todos os alunos da aula de EED, como, por exemplo, Shirley, aparentemente inapta a exercer atividades esportivas, mas especialmente dotada para dar ordens, o principal atributo que um estudante de EED deve cultivar. Nesta trama, o que faz valer a diversão é o cenário e então as situações que dele surgem, como todas as atividades estranhas que os alunos devem conduzir para ensinar a ensinar.

No miolo do episódio, tivemos a trama envolvendo o ricaço candidato a estudante de Greendale e toda a regalia a ele concedida em sua visita à universidade. O bacana desta trama foi a maior participação do Reitor Pelton, que também foi pego por sua dobra moral e ao final se mostrou arrependido de mascarar toda a universidade para convencer o novo aluno a depositar seu dinheiro nela. Através desta trama, pudemos ver mais Greendale como o lugar mágico onde uma simples ideia de montar uma fraternidade pode, segundos depois, materializar uma, bem formada e elaborada, por meio da mente fértil de Abed; ou então onde a simples tomada do bordão de um personagem por outro pode gerar uma conscientização pela reivindicação da integridade da instituição Greendale.

São episódios como esses, a essa altura, que tocam em particularidades do universo da série e fazem coisas novas e divertidas com elas, que são fáceis de gostar e de se apreciar com um bom sorriso no rosto.