Community – 4×08 – Herstory of Dance

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Por Caetano Barsoteli

O melhor episódio da temporada de Community não poderia ser mais significativo para este que provavelmente será o derradeiro ano da série. “Herstory of Dance” foi divertido, engraçado, comovente e evocativo, mas principalmente zeloso com seus personagens, que ganharam aqui momentos expressivos sob a luz de um arco dramático que vem sendo muito bem denotado neste ano. Principiando de amados tiques de personalidade de dois personagens, Britta e Abed, e levando suas pequenas ocorrências até o limite, os roteiristas criaram um episódio com perspectiva lúdica, mas também dramática – e permitiu, ainda, que os demais personagens, em especial Jeff e Pierce, tivessem uma maior e mais séria participação dramática em toda a trama que se desenrolou e especialmente em relação aos dois personagens primeiro citados.

É nítida a preocupação dos roteiristas em não extrapolar o norte dramático que propuseram aos personagens no início desta temporada. Assim, Pierce e Jeff, os dois que mais evoluem capítulo após capítulo, veem sendo utilizados com certa prudência pelos roteiristas, que evitam comprometer a realidade dramática do que se constrói ao redor dos personagens em prol do humor mais desvairado ao qual poderiam se render. Dessa forma, é tocante testemunhar Pierce, ao final do episódio, dando uma lição de moral em Winger – uma que, surpreendentemente, não só surge dotada de razão, como de maneira alguma parece implausível ainda que vinda de um personagem preconceituoso (repare na hilária gag dos anúncios de seus lenços) como o velho Hawthorne, até porque a ajuda tipicamente “Deus ex machina” (que também conversa com o episódio de um modo geral) que este concede a Britta encontra respaldo no fraco humano que o personagem sempre cultivou: o desejo de se integrar e ser aceito pelo grupo ao qual chama de amigos, mas que nem sempre o chamou assim de volta.

Aliás, a aliança criada entre Pierce e Britta não só testou uma combinação de personagens pouco usada em Community como também contribuiu para fortalecer o grupo como um todo, conferindo-lhe uma consistência relacional que certamente será importante para o final da série. E a bonita conciliação entre Jeff e Britta no final foi uma adição que não poderia deixar se acontecer. Da mesma forma, do lado de Abed, obtivemos uma conciliação, mas desta vez com uma personagem nova, que, acima de todos, representa um importante passo adiante para o nerd; um que podemos realmente esperar se frutificar internamente no personagem. Sua tentação para com os tropes, as convenções televisivas constituiu o núcleo mais engraçado e de maior divertimento do episódio, e a atuação de Danny Pudi foi exigente e dotada de destreza – um espetáculo à parte.

Ao se estabelecer numa fórmula convencional que guia os personagens para realizações pessoais e reconciliações amigáveis, liberando pathos e até mesmo se permitindo uma boa dose de pieguice, Community ainda foi fiel ao espírito paródico pelo qual é tão conhecido, e as referências, tanto as de passagens, divertidinhas e inofensivas, quanto as que realmente constituíram o corpo, a estrutura do episódio, soaram absolutamente acertadas e em perfeito timing cômico e dramático.

“Herstory of Dance” foi um episódio cheio de coração, e deu a mais importante batida em direção ao derradeiro fôlego a ser consumido neste ano.

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