Community – 4×11 – Basic Human Anatomy

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Por Caetano Barsoteli

Podemos caracterizar “Basic Human Anatomy” como um daqueles episódios conceituais que Community sempre gostou de fazer. No capítulo, os roteiristas introduzem o famigerado fenômeno da troca de corpos que já estofou diversos enredos de ficção. Os participantes dessa travessura não poderiam ser outros se não Troy e Abed. Mas mais do que essa brincadeira, o episódio girou em torno de uma importante resolução para os personagens Troy e Britta, que desde o início da temporada vinham levando o relacionamento mais choco da história das séries.

Felizmente, a falta de gravidade e consistência na relação amorosa dos personagens não impediu o efeito dramático de um episódio todo dedicado ao fim do relacionamento de Troy e Britta. Isso porque foi levada em conta a própria qualidade choca da relação dos dois, sendo a inconsistência do namoro um fator determinante para o encerramento deste. O fato de que a conversa de término do namoro foi realizada entre Britta e Abed (supostamente Troy no corpo do amigo) só deixou a coisa toda mais divertida.

Por falar em diversão, a ideia da troca de corpos foi uma diversão em si, já que oportunizou um desafio e tanto para os atores da série, que tiveram de entrar em outros personagens e reproduzir os trejeitos característicos que cada ator a eles conferiu. Ainda que a mão constantemente levantada de Donald Glover, para imitar seu colega Danny Pudi na pele de Abed, tenha sido um exagero, não deixou de ser uma boa observação da postura de Abed – e Glover merece aplausos por conseguir reproduzir todas as características expressões pessoais do personagem: a velocidade de sua fala, a agilidade de seus movimentos e seu jeito quase mecânico de agir.  Por sua vez, Danny Pudi provou porque é um dos melhores atores de Community e entendeu todas as sutilezas de Troy, reproduzindo-as com tamanha naturalidade que toda a mágica parecia mesmo ser verdade (e será que não era? Agradeço aos roteiristas por explorarem a suposta supernaturalidade da série e deixarem ambíguas suas propriedades mágicas).

Além de Glover e Pudi, tivemos também o Reitor Pelton reproduzindo a prosódia de Jeff Winger e sua postura máscula e alfa com tamanha perfeição que fez desaparecer por completo o afeminado diretor da faculdade universitária – Jim Rash, que já havia provado seu talento como ator, merece palmas em dobro por sua imitação de Jeff Winger/Joel McHale. (E, apenas para não passar batido, devo dizer que as reações de Annie frente ao reitor Pelton/Jeff foram sacadas brilhantes dos roteiristas).

Por fim, o episódio serviu-se de uma tensão extra, que havia sido anunciada no episódio passado, relativa à nota que cada um do grupo deveria conquistar para atingir seus objetivos ao final do curso. A trama, que agora já toma a forma de um arco, ainda terá continuidade, e prevê alguns conflitos, o que é bom para que tenhamos algo estabelecido à longo prazo, de modo que outras tramas e conflitos possam se desenvolver em cima disso tudo.

No mais, apenas contenta-me terem terminado de vez o relacionamento de Troy e Britta, que nunca deveria ter acontecido, ainda que o episódio tenha sugerido, meio que forçadamente, as transformações pessoais de cada um após essa experiência. Ao menos, decidiram por um fim nesse óbice da temporada de uma maneira divertida e até tocante.