Community – 4×12 – Heroic Origins

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Por Caetano Barsoteli

É evidente o porquê de um episódio como “Heroic Origins” ter sido realizado por Community nesta altura de seu trajeto. Além de conceitualmente fundamentado por uma convenção pop, que desta vez remonta a uma tradição dos quadrinhos de super-heróis, o episódio também cabe dentro de uma convenção televisiva não menos comum que a das bandas desenhadas, e manifesta especialmente em seriados que se aproximam de sua reta final. A nostalgia aqui é o elemento que vigora, ainda que traga junto novas revelações, encontradas em lacunas inesperadas, sobre o passado dos personagens, de modo a reforçar aquela já bem estabelecida convivência dos amigos e dar toques especiais às suas relações.

Soou assim, místico, como bem Community pode soar quando quer. Mas todo esse encanto em torno das conexões passadas dos personagens – numa coisa à la Lost, ainda que provinda originalmente dos quadrinhos, como evidenciado – não deixou de apresentar o sabor da paródia que a comédia sempre exibiu ao usar, em maior ou menor grau de gozação, os clichês, fórmulas e convenções de toda a criação popular cultural precedente. E, dessa forma, no limite de parecer brega e piegas com toda essa ideia manjada de reforçar as relações entre os personagens através de ocorrências inventadas em lacunas imaginadas, Community se safou e entregou um episódio sentimentalmente consciente, sim, porém muito pouco efetivo.

Pois apesar de tudo, aqueles descobrimentos teoricamente tão importantes para os personagens não deixaram de parecer… chocos e sem resonância. O verdadeiro cerne emocional de todos aqueles cruzamentos passados e da ideia de um destino operante simplesmente se mostrou oco durante todo o episódio. Tudo o que testemunhamos foi uma ideia sendo aproveitada sem que a ela fosse estabelecido o elo dramático que sempre deu mais sentido às referências e homenagens pops realizadas por Community. Sem contar que a execução do conceito pecou e muito nos detalhes, que comprometeram ainda mais a eficiência de todo o desenvolvimento dramático do episódio, fazendo com que, por um lado, a coisa toda parecesse mais descompromissada (e por isso menos piegas), enquanto que, por outro, soasse dramaticamente forçosa, tanto pela logística dos cruzamentos quanto pela relevância dramática conferida a cada um.

A subtrama envolvendo Chang e sua mentira foi encerrada – pelo menos parcialmente e no que diz respeito ao personagem em si – de uma forma anticlimática, mas quase que emocionalmente certa, não fosse pelo aborrecimento que somente a sugestão deste arco vilanesco em torno do personagem – e agora também do Reitor da City College – consegue causar.

Foi um episódio, em tese, correto, ainda que nem um pouco original para uma temporada que provavelmente será a final, e que vem se assumindo assim desde o seu início. No entanto, a execução foi artificial, talvez pela virtual obrigatoriedade de se fazer um episódio nesse estilo apenas porque é isso o que Community – uma série que já tem autonomia para além de um Dan Harmon e demais roteiristas – eventualmente faria.