Nip/Tuck – 7×03 – Joel Seabrook

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Por Luiz Rodolfo

Episódio bom, tenso, com cenas fortes e as bizarrices usuais de Nip/Tuck. Autodestruição dos personagens no caminho para o fim da série. Pode-se falar o que quiser de Nip/Tuck, mas nunca pode-se dizer que ele não é original e que está desatualizado. Primeiro ficamos cara-a-cara com um paciente que tentou se matar pulando da ponte Golden Gate e acabou achando o sentido de sua vida. Como se a proximidade com a morte fizesse com que a vida ficasse mais fácil de se entender e aceitar.

Depois somos apresentados a um paciente que quer remover marcas de enforcamento e na conversa com o Dr. Troy, ele revela que se asfixia durante a masturbação – a chamada asfixia auto-erótica. O objetivo dessa prática é reduzir intencionalmente a emissão de oxigênio para o cérebro durante uma estimulação sexual para aumentar o prazer do orgasmo (fonte Wikipedia). Resumindo: que ideia de jerico.

Os fetichistas que me desculpem e não me culpem por ser conservador nesse assunto, mas se enforcar durante a masturbação ou ato sexual não pode ser normal. O seriado mostra isso mais de uma vez. Não dá para se ter controle. Não interessa se Christian é médico e acha que sabe até onde pode ir. Ele não sabe. Ninguém sabe. Ano passado acompanhamos as circunstâncias da morte do ator David Carradine, que foi encontrado enforcado em seu quarto de hotel em Bancoc em sua última busca por prazer com a Hipoxifilia.

Com todo esse lance de asfixia, acabei me lembrando que quando eu era mais novo, há uns 15 anos atrás, meus amigos do prédio vieram com uma brincadeira não muito saudável. Duas pessoas apertavam uma outra contra a parede ou a abraçavam bem forte até ela perder os sentidos, com total consentimento da pessoa, que acabava desmaiando. Eu sempre fui muito medroso (ainda bem) e nunca tentei a “brincadeira”, mas presenciei um amigo ter espasmos e tremiliques depois de perder a consciência. Essa está no Top 10 das más idéias dos adolescentes.

No resumo, percebemos que se tem muita gente que tem medo de morrer e não aprecia correr riscos, também tem muita gente que se excita com a ideia de chegar pertinho da Dona Morte. Não digo que o fetichismo seja uma doença, longe disso. Ter experiências novas também é uma constante busca do ser humano, porém deve haver um limite.

Ultimamente, a clínica de cirurgia plástica Troy/McNamara parece mais um manicômio, onde os pacientes claramente necessitam de cuidados psicológicos antes de realizarem os procedimentos estéticos corretivos. Está na cara que esse paciente que se enforca com seu próprio cinto vai se machucar novamente. O cara não consegue ficar sem se masturbar nem na sala de recuperação, depois da cirurgia.

Sean sai à procura de suas vontades nesse episódio também. Não de vontades sexuais, mas Sean é um cara que sempre quis fazer a diferença no mundo. E ele tem todas as ferramentas para isso. Ele volta a encontrar seu colega de faculdade humanitário e ambos começam um trabalho juntos.

Uma coisa que ainda falta em Nip/Tuck nesta temporada é um vilão. Todas temporadas que tiveram vilões foram excelentes. Esta, sem antagonistas, coloca os próprios personagens principais como vilões da história e vemos o início do fim dessa amizade de tantos anos dos médicos que, como tudo na vida, um dia vai acabar. O problema dessa abordagem é ficarmos com aiva de alguns personagens que antes admirávamos. Com os defeitos à flor da pele os personagens deixam de ser legais como eram antes.

(Spoilers à frente)

No meio de toda essa maluquice e autodestruição, vemos Kimber ser deixada de lado por Christian e por Sean. Christian destruiu a personalidade de Kimber (ou a própria foi se destruindo desde o início da série), que também já passou pela mão e pela cama de quase todo mundo na série. Francamente, se tornou até repetitivo e cansativo sua vagabundice. Essa aí, só não comeu quem não quis.

A gente acha que um cara instruído, estudado e que passou por tantas coisas na vida está livre de cometer uma idiotice. Porém, a série mostra que o Dr. Troy não se aguenta e lá vai ele se enforcar no banheiro para aumentar seu prazer. No fim, quem se ferra com tudo isso é Kimber. Tal qual o paciente que tentou se matar, Christian quase morre e quando acorda vê com clareza que não quer mais ficar com Kimber. Como se o cérebro desse um “reset” e os pensamentos e sentimentos que antes o atrapalhavam de fazer um julgamento decente da situação sumissem de vez.

Daí para frente vou deixar para cada um tirar suas próprias conclusões com o desenrolar da história e no próximo comentário coloco minha opinião sobre o final deste episódio. Tenso.

Um Abraço, não muito apertado dessa vez.