Orphan Black – 2×10 – By Means Which Have Never Yet Been Tried

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Orphan Black veio para sua segunda temporada com muitos questionamentos. A primeira temporada da série foi um sucesso crescente. A cada semana mais e mais pessoas amavam Tatiana Maslany e suas personificações de Sarah, Beth, Cosima, Alison, Rachel, entre outras. Foi inevitável que a segunda temporada viesse para confirmar o sucesso e expandir a mitologia da série. Entretanto, tivemos um segundo ano bem morno, confuso, mas que, menos mal, conseguiu terminar de maneira excelente e com renovação de fôlego.

A temporada teve seus bons momentos, mas se perdeu no meio de tantas reviravoltas e pessoas trocando de lado e surpreendendo a nós e as clones. Vamos por clones. Uma das favoritas (minha e do público em geral) é Alison. Simplesmente porque ela é a clone mais engraçada. Infelizmente, nessa temporada ela esteve bem longe da trama principal, inclusive não aparecendo em alguns episódios, e isso prejudicou um pouco a personagem. Toda a trama dela envolvendo o musical e a reabilitação foram bem chatinhas. Nos últimos episódios, entretanto, a dinâmica entre ela e Donnie mudou (e o personagem subiu no meu conceito) e a clone voltou a brilhar. Sem dúvida, esse casal é a parte mais engraçada da série. Quando Donnie acidentalmente explode a cabeça do Dr. Leekie eu morri de rir. Foi brilhante e hilário a maneira como os roteiristas fizeram as pazes do casal.

Enquanto isso, Cosima segue a trama na parte científica. Tudo disso é relacionado a ela. A relação dela e Delphine cresceu bastante nessa temporada e eu realmente comecei a torcer pelo casal. Por um momento achei que Delphine estivesse mancomunada com Rachel, mas no fundo ela era apenas mais uma peça no jogo. O destino da personagem se tornou incerto ao final da temporada. Por um momento achei que ela iria morrer ali no meio da dança dos clones ou depois achei que ela já estivesse morta quando Kira tenta acordá-la. E nessa parte levanto algumas questões: será que Cos estava realmente morta e o toque da Kira fez a cientista “ressuscitar” ou de alguma maneira atrasar sua partida? Coisas para discutirmos até ano que vem. Por um momento achei que a jovem não fosse chegar viva até o final da temporada, mas pode ter faltado coragem da parte dos produtores em matar a personagem.

Helena. Que personagem. Que clone. Temporada passada ela era a vilã master, aquela que todos odiávamos. Mas agora? Agora Helena aparece e eu abro um sorriso. Que personagem incrível. A maneira como conseguiram desenvolvê-la e transformar em um ponto positivo para a série foi incrível. O momento de bonding entre ela e Sarah no carro lá na metade da temporada foi sensacional. E melhor ainda quando ela chama o Feliz de “sestra brother”. Melhor coisa que fizeram foi aproximá-la das outras clones. Uma dúvida, entretanto, ficou para a próxima temporada. Muito se discutiu quando vimos que a garota estava viva ainda. Será que seu corpo teria alguma capacidade regenerativa. Nada foi citado e nem falado, talvez tenha sido apenas “sorte” da sestra mesmo.

Com Helena vieram os Proletheans que, ao meu ver, não deram em nada. (Comparando com a segunda temporada de Bates Motel, que também foi bem mais ou menos, essa trama se equivaleria lá ao pessoal da maconha) Eles queriam pegar Sarah ou Helena para tentar reproduzir os óvulos delas nas meninas da seita. Ok, que historinha chata para enrolar. No fim, eles não serviram para muita coisa, apenas para termos mais cenas animais da Helena. No final, descobrimos que Mark, um dos sobreviventes da seita e que agora se casou com Gracie (que está gerando um dos filhos de Helena), é peça fundamental nesse quebra-cabeça dos clones (mais dali em instantes).

O grande viés da temporada foi o excesso de reviravoltas. Em um episódio podíamos confiar na Siobhan, no outro, não, e depois, podíamos de novo, mas depois, na verdade, ela tinha mais segredos. Ufa. A cabeça de qualquer um pira. E não foi somente com ela. A temporada foi de montanha russa de confiança para ela, Dr. Leekie e até mesmo Rachel, que em certo ponto se tornou a grande vítima da história. Por um momento achei que a série tinha esgotado sua mitologia e estava apenas enrolando, mas que bom que no final vimos que tem muita coisa pelo caminho.

O último episódio veio com um ganho recorrente na série: algo acontecendo com Kira. A garota já foi sequestrada algumas vezes durante a série, mas acredito que essa foi a melhor. Pelo menos foi a mais bem desenvolvida. O episódio inteiro teve um capricho diferenciado. A cena de abertura com Sarah se entregando foi sensacional. Toda a trama que conseguiram montar de Cal, Siobhan, Paul, Cosima e a personagem da Michelle Forbes para tirar Sarah e Kira da DYAD foi muito bem orquestrada e filmada. Claro que no final, eles cortaram um pouco o clímax para mostrar Sarah bem em casa com as clones, mas foi bem feito de qualquer maneira.

Na última cena, tivemos grandes revelações e questionamentos para a temporada que vem. A primeira é que temos uma segunda Kira, assim, digamos. Ou poderíamos dizer uma clone criança? Acontece que após 400 tentativas, conseguiram recriar o gene clone e vemos uma little Sarah (com alguns problemas de locomoção) aos cuidados da personagem de Michelle Forbes (que eu sempre acho que está do lado malvado das histórias, mas aqui, aparentemente não). Acredito que eles têm que explorar um pouco mais essa história, saber como conseguiram recriar o genes e etc.

Mas a grande revelação (e que eu não esperava) era que existiam clones masculinos. E aqui acho que a série vai seguir aquele caminho que muitas outras já seguiram sobre criação de supersoldados e militarismo, afinal, é uma hipótese bem aceitável: que o governo crie clones masculinos para lutar como um exército. Espero que sigam algo diferente ou apliquem uma visão diferente a essa trama. A revelação de que Mark, um dos Proletheans, era um dos clones foi surpreendente. Por um momento achei que esse fosse ser o gancho para a temporada que vem (que bom que não foi), e por outro achei que Paul fosse um dos clones. Mas fiquei bem satisfeito com o resultado. Pelo visto já vimos três clones (um militar, um cativo e outro o Mark mesmo). Por que será que temos um clone sendo mantido em cativeiro? (Ele parece bem maluco assim como Helena, seria interessante que os clones masculinos fossem de personalidade semelhante aos clones femininos)

A grande dúvida, entretanto, é se Ari Millen vai conseguir ser tão bem sucedido quanto Tatiana Maslany em interpretar personagens diferentes. Pelo seu resultado nessa temporada fica a dúvida. Seu papel como Mark não pedia muitas facetas e ficamos com essa dúvida para temporada que vem.

A temporada trouxe ainda coisas boas como a clone transsexual Tony, que foi no mínimo engraçado vê-lo interagindo com Felix e ver que Maslany tem muito a oferecer como atriz ainda. Também conhecemos o pai de Kira, Cal, que foi uma boa adesão a série. Gostaria de vê-lo como regular porque ele trouxe uma dinâmica interessante com Sarah e por oferecer uma ajuda necessária lá no final da temporada. Um enorme destaque para a cena final da dança dos clones. Nunca ri tanto na série. Hilário os diferentes tipos de dança de cada clone e como Maslany consegue representar bem cada uma (Helena, te amei mais ainda nessa cena).

A série terminou muito bem seu segundo ano, que infelizmente teve mais tropeços do que acertos. Mas a fé na série foi renovada, espero que expandam mais ainda essa mitologia dos clones e que tenha menos chatice (chega de sequestrarem, capturarem, quererem matar a Kira). É isso aí, nos vemos ano que vem. O que vocês acharam?

2 COMENTÁRIOS

  1. Gostei da season finale. Porém, na segunda temporada pareceu que os roteiristas/escritores/sei la quem, estiveram meio perdidos em relação a história. Acho que eles estavam lidando com muitos clones nessa segunda temporada, e cada um com um plot diferente, por isso histórias como a da Helena e Alison foram meio que esquecidas e deixadas de lado em muitos episódios. E me preocupo agora com uma possível 3ª temporada. Não gostei dos “clones masculinos” (a.k.a Project Castor), porque assim é MAIS história para se juntar ao que ja tem, o que significa que a série vai ficar mais perdida ainda e sem respostas convincentes. Como, por que a Rachel queria tanto sequestrar a Kira? Paul era agente duplo todo esse tempo? Por que criar tantos clones? A fim de que? Qual o interesse pessoal da Mrs. S? Acho que faltou respostas para muitas perguntas nessa temporada.

  2. Não sei se tem gás para mais uma temporada, pelo menos, para mais uma temporada com qualidade – é inegável o quanto a segunda temporada foi inferior à primeira. Achei desnecessária a inclusão dos clones masculinos e também não gostei do “tom” dado à Sarah: ela é uma das clones mais sem carisma, sempre brava, desconfiada, achando que todo o mundo está contra ela, usando as pessoas e as descartando, uma atitude meio última bolachinha do pacote, nada a ver.
    Então, temos uma heroína chata e arrogante e uma história muito complexa, com vários personagens e temas – a receita perfeita para uma terceira temporada catastrófica, onde a série vai afundar de vez. Claro que não desejo isso, vamos esperar para ver…